Sabedoria de irmã mais velha #3

Todos no carro, saídos de uma festa… ela sentada entre os irmãos a comer um chupa.

Pelos grunhidos, percebo que um deles lhe pede o chupa (não podem ver ninguém a comer nada).

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, oiço um assertivo “isto é um comprimido que a mana tem que a mana tem que tomar“. 

O irmão nem se atreveu a pedir mais nada e nós mal conseguimos conter uma valente gargalhada!!

Momentos de aflição dos filhos que nos arrancam uma (ou mais) gargalhadas #1

No fim-de-semana, a mais velha lembrou-se de uma que lhe aconteceu há uns 2 ou 3 anos… 

Pelo Natal ela tinha recebido um castelo em cartão, para montar e enfeitar com os autocolantes que trazia. 

Este…


Montámos o castelo e as personagens e ela enfeitou o castelo com alguns autocolantes (com desenhos). Os restantes autocolantes (“milhares” de pequenos quadrados de um material fofinho) ficaram “esquecidos” na caixa. Achámos que correríamos o risco de aparecerem colados em todo o lado…

Não apareceram colados em todo e qualquer lado… foi só nas pernas dela!!! Um dia apanhou a caixa e desatou a colar quadrados cor-de-rosa pelas pernas fora…

Apareceu-nos à frente naquele figura, mais feliz do que se tivesse acabado de receber um brinquedo. 

A cola daqueles autocolantes era boa (mas mesmo boa)… tão boa que tirar-lhe os autocolantes sem ela berrar de dor revelou-se tarefa difícil…

Quando ela percebeu que não ia ser fácil tirar aquilo, desatou a chorar e eu… eu (e o Pai, que nestas coisas é quase pior do que eu) desatei a rir porque já a imaginava a ir para a escola com as pernas naquele estado!!!

Tivémos que enfiar a miúda na banheira para dissolver a cola… ela chorava e eu ria!!!

E quando ela me relembrou disto voltei a rir! E não foi para dentro… soltei uma valente gargalhada!!!

Vantagens de ser Pai (Parte 1)

Sem grandes rodeios vou enumerar:

  1. Quando e onde estiveres com os teus filhos podes comportar-te como se fosses um deles – Aos olhos dos restantes adultos estás a ser um excelente Pai, quando na realidade estás só a ser pateta (é li-ber-ta-dor… quem não tiver fihos posso alugar um ou dois para experiênciar esta liberdade).
  2. Quando os estás a adormecer e te tocam no nariz podes fazer POMMMMMM… porque no final das contas quem vai acabar por os pôr a dormir é a Mãe….
  3. Basta dizeres sim ou não depois da Mãe dizer sim ou não… A sensação de seres um excelente educador deve ser o equivalente a fazer rodizio de holandesas…
  4. Quando doí… querem a Mãe… Quando não doí querem o Disney Junior… Perfect 🙂
  5. Bem treinados… cócó é com a Mãe…
  6. Quando és pai de gemeos podes sempre dar respostas parvas a perguntas parvas:
    1. São gemeos? – Não são de mães diferentes….
    2. São dois? – Não são 3 mas não havia carrinhos com mais lugares na loja… o outro vem já ai atrás….
    3. São dois meninos? – Não… vesti os dois de azul só para causar confusão.
    4. (A minha preferida) Nasceram ao mesmo tempo? – Não não… nasceram com um minuto ou dois de intervalo…
    5. São verdadeiros? Não estes são falsos… os verdadeiros deixei-os no carro porque são muito irrequietos.

Fim da primeira parte… Amanhã há mais!

O Pai

Regresso às costuras

Já que comprei uma máquina de costura e fiz um curso (básico) online – sewing 101 – há que rentabilizar o investimento… por isso voltei à costura. 

A ideia agora é fazer peças de roupa que lhes façam falta. Dentro do que faz falta optei por começar pelo mais fácil – chapéus! 

Tirei o molde de um livro que me emprestaram. Já tinha folheado o livro imensas vezes e pareceu-me fácil fazer qualquer um dos chapéus. 

Comprei tecidos, entretela e imprimi os moldes. Cortei as peças – esta é a parte que menos gosto… levo muito tempo e ponho imensos alfinetes para ter a certeza que fica tudo direitinho – e apliquei a entretela ao tecido (termoaderente e de tecido).

Depois foi só coser… foi num instante!!! 

Comecei por fazer um chapéu para ela, reversível, depois chapéus iguais para os três (tecidos iguais, mas cores diferentes para ela). O tecido de fora destes chapéus iguais é grosso e mais difícil de trabalhar. Mas apesar de não assentarem tão bem, eles gostaram!!

E assim, em menos de nada passaram de nenhum chapéu para dois para ela e um para cada um dos gémeos. 

Como a experiência dos chapéus está a correr tão bem, vou fazer mais um ou outro (outros modelos do livro) e depois quero tentar fazer peças de roupa para eles… calças, saias, blusas, camisas… vamos ver como corre.

Quando o Universo conspira contra as Mães… ou a história dos nossos dias!!!

Um dos propósitos do Universo (estou certa de que é o principal) é boicotar os planos das Mães…

Plano de ontem:

  • Sair meia hora mais cedo;
  • Chegar à escola com calma e muito antes das 19h00;
  • Estacionar o carro à porta (chegando cedo teria lugar de certeza);
  • Levar os miúdos (a pé) para tirar fotografias (a mais velha precisa agora para a inscrição na escola, quanto aos gémeos ia adiantar serviço);
  • Ir ao supermercado (com toda a calma e a pé com os três), buscar o que faltava (leite… falta sempre leite!!!);
  • Chegar a casa com tudo isto tratado e (sempre com muita calma) pôr os miúdos no banho, dar-lhes jantar (o que sobrou do dia anterior) e pô-los na cama cedo para poder descansar!

O que aconteceu:

  • Saí apenas 5 minutos mais cedo;
  • Apanhei trânsito de uma ponta à outra da cidade (no dia anterior tinha saído mais tarde e cheguei à escola em 30 minutos… ontem, que tinha tantos planos, demorei 1 hora a chegar);
  • Como eram já quase 19h00 quando cheguei à escola, a loja das fotografias estava fora de hipótese. Ainda ponderei ir com os três para a estação de metro, mas não me senti capaz…
  • Fomos ao supermercado – carro no parque e lá fomos todos comprar o que faltava. Supermercado com os três, por incrível que pareça, até costuma correr bem. Ontem houve de tudo… puxarem o fio de emergência da casa-de-banho onde está o muda-fraldas (fiquei a saber que funciona, porque 2 minutos depois tinha o segurança do supermercado a bater à porta), carregarem no botão de emergência do elevador, puxarem o carrinho quando eu tentava empurrá-lo, irem por outro corredor, pendurarem-se no carrinho em andamento, mexerem nos telefones das caixas, mexerem na máquina dos cupões e outras que tais… a senhora que estava à minha frente perguntou-me se precisava de ajuda umas 3 ou 4 vezes… Para verem como estava a correr bem!
  • Chegar a casa tarde, dar banho aos miúdos, dar-lhes jantar (com muitas birras porque um não queria sopa, outro não queria a massa… e, claro, pô-los na cama para lá de tarde!
  • E sentei-me 5 minutos na sala… adoro quando tudo corre conforme planeado!!!!

Podia contar-vos a noite que se seguiu, mas não quero ser responsável pela redução drástica da natalidade!!

O pão dos filhos e a fome do Pai…

Como qualquer miúdo, os meus filhos pelam-se por actividades culinárias que envolvam farinha, mexer com uma colher de pau ou meter as mãos na massa (literalmente).

São fãs das noites de pizza… os gémeos mais da parte de fazer a pizza e de comer os ingredientes do que comer a pizza pronta, ela de todo o processo, sobretudo a parte de comer a pizza!

Adoram fazer bolachas… aqui o que gostam mesmo é da parte final… comer as bolachas… todas… em menos de nada!!

Desta vez resolvi fazer pão com eles. Já tinha feito outras vezes, mas depois de os deitar.

Tenho feito com base numa receita que encontrei aqui. Fiz apenas metade e substituí a farinha normal por farinha de espelta (que tinha comprado num sítio fantástico, onde se encontra tudo e mais alguma coisa a granel), na esperança de que dê para compensar os cocholates que como.

Assim que perceberam que a coisa envolvia farinha, água e sujar as mãos todos eles quiseram ajudar (ou melhor, participar daquilo que lhes pareceu uma festa)!

Na parte de amassar à mão a cozinha transformou-se num estado de sítio. Despejaram farinha na bancada (ainda estamos a trabalhar a aquisição de conceitos… como é o caso de “um pouco“), puseram as mãos na massa (se a amassaram ou não é que já não sei dizer) e passaram as mãos pela roupa, cara e cabelo… se não fosse a nuvem de farinha que pairava pela cozinha, teriam ficado com uma bela fotografia do seu disfarce de “enfarinhados“.

Depois distos, os gémeos fartaram-se da “brincadeira“. A mais velha voltou quando chegou a altura de dar forma ao pão… ela é que decidiu que seriam bolas e até fez uma bola de pão mais pequena especificamente para ela

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Os miúdos foram para a cama logo depois de pôr os pães no forno e o Pai (ou “o meu filho adolescente“) chegou pouco depois de os tirar do forno, estava eu a adormecer os gémeos.

Juro que demorei pouco mais de 5 minutos… a sério!!! Assim que chego à cozinha tenho este cenário… o meu filho adolescente, que como qualquer adolescente está sempre esganado de fome, engoliu (duvido que tenha tido tempo de mastigar) quase metade dos pães!!!!

E qual foi o pão que ele comeu primeiro? Pois claro… o mais pequeno!! Achou que era apenas um bocado de massa que tinha sobrado, do qual eu tinha feito uma bola pequena…

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Exorcista precisa-se…

Sou só eu que penso em chamar um exorcista cada vez que tenho que lhes cortar as unhas dos pés?

É que só lhes falta rodar a cabeça!!!!

Gritam, choram, esperneiam, contorcem-se… tudo isto antes mesmo de lhes tocar!

A meio do longo processo ouvem-se (até ao fim da rua, de certeza) uns “Pára!”, “Não me cortes o pé!”, “Magoa!”… ainda assim, temos escapado a uma visita surpresa da Polícia ou da Proteção de Menores.

Pelo menos até se lembrarem de gritar “Socorro!”…

“É preciso uma aldeia inteira para criar uma criança”

Ter muitos filhos (e eu só tenho três) é meio caminho andado para um micro caos constante, mas confesso que é engraçado (apesar de muitas vezes me deixar louca). No fundo gosto da confusão que eles causam e do caos em que fica a nossa casa.

Mas ter muitos filhos pode também deixar os pais com “um problema” em situações como a que passámos agora – a operação e internamento do Francisco – como fazer para acompanhar o filho que está no Hospital e dar aos outros filhos (que numa situação destas estão ainda mais carentes) a atenção que eles precisam?

No dia anterior à cirurgia os irmãos saíram para a escola e o Francisco ficou em casa, para o segundo dia de preparação para a operação. Como tínhamos que dar entrada no Hospital durante a tarde, fui com a minha Mãe buscá-los à escola para irem para casa da Avó, enquanto o Pai ficou com o Francisco. Depois seguimos para o Hospital para o internar e os irmãos acabaram por já não se ver nesse dia…  tivemos receio que ficassem todos mais tristes se tivessem que se separar logo depois de se verem em casa e por apenas um bocadinho.

O Pai ficou no Hospital até ao fim do horário das visitas (só um dos Pais é que pode ficar durante a noite) e, por isso, a Margarida e o Afonso acabaram por ficar a dormir em casa da Avó.

Na primeira noite a minha Mãe ficou com a Margarida e com o Afonso (banho, jantar, brincadeira, muita paciência – como só uma Avó sabe – e mimo para dormir) e no dia seguinte levou-os à escola. No entanto, já começavam a acusar que algo se passava e mostravam alguma agitação.

No dia da cirurgia ficámos apenas nós (os Pais) com ele, sem visitas, para que o tempo de espera fosse o mais calmo possível. Já chegavam as “maldades” que tiveram que lhe fazer… cateter na mão para começar os antibióticos, análises e medição de temperatura. O Francisco (e nisto o Afonso é igual) não gosta de médicos (choram em todas as consultas… TODAS!!!) ou enfermeiros em geral, por isso um dia como este foi uma “pequena tortura”. Ainda assim, nos intervalos dos antibióticos continuava bem disposto e até demos umas voltas pelos corredores do internamento pediátrico.

Como a cirurgia anterior (ambas precisavam do mesmo bloco, por causa do material necessário aos procedimentos) acabou por ser mais demorada, o Francisco só foi para o bloco por volta das 16h15. O Pai foi buscar os outros dois à escola e eu fiquei à espera das 17h30 (hora em que tinha ficado de ir ao balcão de informações do bloco para saber notícias da cirurgia).

A Margarida e o Afonso chegaram ao Hospital e foi uma grande festa (nada como ser Mãe para ter uma festa destas… mesmo que tenham passado apenas 5 minutos desde a última vez que nos vimos). Por volta das 18h30 soubemos que a operação ia demorar, pelo menos, mais duas horas. Antes das 20h30 a cirurgia não iria terminar e a Margarida e o Afonso não podiam continuar no Hospital… precisavam de jantar e dormir (é importante tentar manter a normalidade, sobretudo em situações destas).

A minha Mãe, que ao contrário do que possa parecer, tem energia suficiente para tomar conta dos três se for preciso, prontificou-se a ficar novamente com a Margarida e com o Afonso nessa noite.

Saímos os quatro (a minha Mãe, os miúdos e eu) do Hospital em direção a casa para ir buscar mudas de roupa e fraldas para o Afonso. Depois foi deixá-los em casa da minha Mãe para jantarem e passarem a noite. Claro que choraram por eu me ir embora, mas a minha Mãe deu-lhes muito mimo e a minha irmã apareceu pouco depois para ajudar a distraí-los e para os encher também de mimos.

No dia seguinte o Pai foi buscá-los a casa da minha Mãe para os deixar na escola e, ao final do dia, fui eu buscá-los à escola para irem ver o irmão que tinha acabado de chegar ao quarto. Estavam a precisar de ver o irmão… ver que ele estava bem. Ficaram mais calmos (ou melhor, regressaram à agitação normal) quando viram o Francisco e, apesar do meu receio, não ficaram impressionados com os tubos todos que ele tinha.

Os miúdos estavam a precisar de calma, por isso, no Sábado o Pai ficou parte da manhã com eles em casa. Para não ficar sozinha no Hospital e poder sair um bocadinho do quarto (que é como quem diz… ir beber um chá à cafetaria do Hospital e voltar), a minha Mãe foi até ao Hospital logo de manhã para ficar um pouco com o Francisco.

Entretanto o Pai chegou com os irmãos. Estiveram com o Francisco e a minha Mãe levou-os a comer qualquer coisa e depois a um parque perto do Hospital. Mais uns mimos de todos ao Francisco e depois a minha Mãe voltou a ficar com ele para eu e o Pai levarmos a Margarida e o Francisco para ficarem com a minha irmã numa festa (onde se divertiram bastante, apesar de não conhecerem ninguém).

No dia seguinte o Pai acordou (mesmo) muito mal disposto… e a ter que tratar de duas crianças pequenas sozinho. A minha Mãe, que já ia passar por nossa casa para deixar coisas para o almoço, acabou por ficar e vestir os miúdos. Ainda ficou um pouco em nossa casa, para o Pai poder descansar e despois foram todos para o Hospital (o Pai continuava com um ar terrível… parecia precisar mais da cama do Hospital do que o Francisco).

Depois do almoço, a minha Mãe levou a Margarida e o Afonso ao cinema (que adoraram), passearam um pouco e levou-os para nossa casa para lhes dar banho e adiantar o jantar deles (depois voltou para o Hospital para ficar com o Francisco e eu poder ir jantar num instante com a minha irmã). O Pai, que não se sentia capaz de ficar sozinho com os dois, pediu à Mãe dele para lá ficar e o ajudar com os miúdos. Tratou do jantar de todos e ficou a dormir para, no dia seguinte, ajudar com a rotina matinal de preparar a “tropa” para a escola.

Nos restantes dias, até o Francisco ter alta, a minha Mãe e minha irmã foram aparecendo no Hospital para ficarem com ele e eu poder sair do quarto para beber um chá, almoçar ou jantar.

Cada vez mais acho que este provérbio – “É preciso uma aldeia inteira para criar uma criança” – não podia ser mais verdadeiro. A rede familiar é fundamental para a felicidade de todos. Os Pais ficam mais felizes se puderem ter ajuda (sobretudo em alturas difíceis) e os netos ficam mais felizes por estarem com os Avós e com os Tios.

A minha Mãe, apesar do ritmo louco de trabalho que tem, sempre que pode, abdica de um pouco do seu tempo de descanso para me ajudar, para aliviar um pouco os meus dias. E é por isso que, cada vez mais, admiro a minha Mãe (e a minha irmã também). Como escrevi neste post, os últimos tempos não têm sido fáceis e a minha Mãe (e a minha irmã também) sempre foi capaz de manter a sua força e o seu foco e estar presente sempre que eu (e a minha família) ou a minha irmã precisamos.