“É preciso uma aldeia inteira para criar uma criança”

Ter muitos filhos (e eu só tenho três) é meio caminho andado para um micro caos constante, mas confesso que é engraçado (apesar de muitas vezes me deixar louca). No fundo gosto da confusão que eles causam e do caos em que fica a nossa casa.

Mas ter muitos filhos pode também deixar os pais com “um problema” em situações como a que passámos agora – a operação e internamento do Francisco – como fazer para acompanhar o filho que está no Hospital e dar aos outros filhos (que numa situação destas estão ainda mais carentes) a atenção que eles precisam?

No dia anterior à cirurgia os irmãos saíram para a escola e o Francisco ficou em casa, para o segundo dia de preparação para a operação. Como tínhamos que dar entrada no Hospital durante a tarde, fui com a minha Mãe buscá-los à escola para irem para casa da Avó, enquanto o Pai ficou com o Francisco. Depois seguimos para o Hospital para o internar e os irmãos acabaram por já não se ver nesse dia…  tivemos receio que ficassem todos mais tristes se tivessem que se separar logo depois de se verem em casa e por apenas um bocadinho.

O Pai ficou no Hospital até ao fim do horário das visitas (só um dos Pais é que pode ficar durante a noite) e, por isso, a Margarida e o Afonso acabaram por ficar a dormir em casa da Avó.

Na primeira noite a minha Mãe ficou com a Margarida e com o Afonso (banho, jantar, brincadeira, muita paciência – como só uma Avó sabe – e mimo para dormir) e no dia seguinte levou-os à escola. No entanto, já começavam a acusar que algo se passava e mostravam alguma agitação.

No dia da cirurgia ficámos apenas nós (os Pais) com ele, sem visitas, para que o tempo de espera fosse o mais calmo possível. Já chegavam as “maldades” que tiveram que lhe fazer… cateter na mão para começar os antibióticos, análises e medição de temperatura. O Francisco (e nisto o Afonso é igual) não gosta de médicos (choram em todas as consultas… TODAS!!!) ou enfermeiros em geral, por isso um dia como este foi uma “pequena tortura”. Ainda assim, nos intervalos dos antibióticos continuava bem disposto e até demos umas voltas pelos corredores do internamento pediátrico.

Como a cirurgia anterior (ambas precisavam do mesmo bloco, por causa do material necessário aos procedimentos) acabou por ser mais demorada, o Francisco só foi para o bloco por volta das 16h15. O Pai foi buscar os outros dois à escola e eu fiquei à espera das 17h30 (hora em que tinha ficado de ir ao balcão de informações do bloco para saber notícias da cirurgia).

A Margarida e o Afonso chegaram ao Hospital e foi uma grande festa (nada como ser Mãe para ter uma festa destas… mesmo que tenham passado apenas 5 minutos desde a última vez que nos vimos). Por volta das 18h30 soubemos que a operação ia demorar, pelo menos, mais duas horas. Antes das 20h30 a cirurgia não iria terminar e a Margarida e o Afonso não podiam continuar no Hospital… precisavam de jantar e dormir (é importante tentar manter a normalidade, sobretudo em situações destas).

A minha Mãe, que ao contrário do que possa parecer, tem energia suficiente para tomar conta dos três se for preciso, prontificou-se a ficar novamente com a Margarida e com o Afonso nessa noite.

Saímos os quatro (a minha Mãe, os miúdos e eu) do Hospital em direção a casa para ir buscar mudas de roupa e fraldas para o Afonso. Depois foi deixá-los em casa da minha Mãe para jantarem e passarem a noite. Claro que choraram por eu me ir embora, mas a minha Mãe deu-lhes muito mimo e a minha irmã apareceu pouco depois para ajudar a distraí-los e para os encher também de mimos.

No dia seguinte o Pai foi buscá-los a casa da minha Mãe para os deixar na escola e, ao final do dia, fui eu buscá-los à escola para irem ver o irmão que tinha acabado de chegar ao quarto. Estavam a precisar de ver o irmão… ver que ele estava bem. Ficaram mais calmos (ou melhor, regressaram à agitação normal) quando viram o Francisco e, apesar do meu receio, não ficaram impressionados com os tubos todos que ele tinha.

Os miúdos estavam a precisar de calma, por isso, no Sábado o Pai ficou parte da manhã com eles em casa. Para não ficar sozinha no Hospital e poder sair um bocadinho do quarto (que é como quem diz… ir beber um chá à cafetaria do Hospital e voltar), a minha Mãe foi até ao Hospital logo de manhã para ficar um pouco com o Francisco.

Entretanto o Pai chegou com os irmãos. Estiveram com o Francisco e a minha Mãe levou-os a comer qualquer coisa e depois a um parque perto do Hospital. Mais uns mimos de todos ao Francisco e depois a minha Mãe voltou a ficar com ele para eu e o Pai levarmos a Margarida e o Francisco para ficarem com a minha irmã numa festa (onde se divertiram bastante, apesar de não conhecerem ninguém).

No dia seguinte o Pai acordou (mesmo) muito mal disposto… e a ter que tratar de duas crianças pequenas sozinho. A minha Mãe, que já ia passar por nossa casa para deixar coisas para o almoço, acabou por ficar e vestir os miúdos. Ainda ficou um pouco em nossa casa, para o Pai poder descansar e despois foram todos para o Hospital (o Pai continuava com um ar terrível… parecia precisar mais da cama do Hospital do que o Francisco).

Depois do almoço, a minha Mãe levou a Margarida e o Afonso ao cinema (que adoraram), passearam um pouco e levou-os para nossa casa para lhes dar banho e adiantar o jantar deles (depois voltou para o Hospital para ficar com o Francisco e eu poder ir jantar num instante com a minha irmã). O Pai, que não se sentia capaz de ficar sozinho com os dois, pediu à Mãe dele para lá ficar e o ajudar com os miúdos. Tratou do jantar de todos e ficou a dormir para, no dia seguinte, ajudar com a rotina matinal de preparar a “tropa” para a escola.

Nos restantes dias, até o Francisco ter alta, a minha Mãe e minha irmã foram aparecendo no Hospital para ficarem com ele e eu poder sair do quarto para beber um chá, almoçar ou jantar.

Cada vez mais acho que este provérbio – “É preciso uma aldeia inteira para criar uma criança” – não podia ser mais verdadeiro. A rede familiar é fundamental para a felicidade de todos. Os Pais ficam mais felizes se puderem ter ajuda (sobretudo em alturas difíceis) e os netos ficam mais felizes por estarem com os Avós e com os Tios.

A minha Mãe, apesar do ritmo louco de trabalho que tem, sempre que pode, abdica de um pouco do seu tempo de descanso para me ajudar, para aliviar um pouco os meus dias. E é por isso que, cada vez mais, admiro a minha Mãe (e a minha irmã também). Como escrevi neste post, os últimos tempos não têm sido fáceis e a minha Mãe (e a minha irmã também) sempre foi capaz de manter a sua força e o seu foco e estar presente sempre que eu (e a minha família) ou a minha irmã precisamos.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s