Sabedoria de irmã mais velha #2

A mais velha deu uma resposta qualquer ao Pai (coisa de miúda de 5 anos que começa a acusar a pré-adolescência que vai chegar mais depressa do que pensamos) ao que o Pai diz: “estás muito saída da casca” (aquilo que todos ouvimos dos nossos Pais e que agora repetimos só porque faz parte do espírito da Parentalidade dizer estas coisas).

Resposta (saída da casca) da miúda: “mas eu não sou um pato…”

E o Pai ficou sem argumentos… 

Ser Mãe é… #1

Ser Mãe é correr para o supermercado, que fechou há 5 minutos, para ir buscar os pacotes de leite que tinha comprado 1 hora ante e bater na grade da porta como uma louca porque não há leite em casa (e vivem lá duas mini-debulhadoras de leite – e não só)…

Devia estar cheia de compras para me esquecer do leite, certo? Não… Fui ao supermercado para comprar… LEITE (e tabaco para o “Manel lá de casa”, mas esse enfiei na carteira e chegou direitinho). Saí do supermercado como entrei… De carteira do braço (e a falar ao telefone… nem me lembrei do leite).

Basicamente fui ao supermercado deixar dinheiro para depois fazer o meu exercício de alta intensidade (ainda bem que tinha comido pouco ao jantar… O que as mini-debulhadoras deixaram).

O importante é que consegui levar o leite para casa ainda nesse dia (noite)!!! 

Obrigada ao senhor que passava na rua e, com pena desta “cabeça-no-ar”, me ajudou a chamar (que é como quem diz, a bater nos vidros enquanto eu batia na grade) a única pessoa que estava dentro do supermercado.

E obrigada ao senhor que estava dentro do supermercado e me entregou o leite!!!

O novo mundo da costura

Há uns tempos atrás dei por mim a pensar que seria giro aprender a costurar com máquina e começar a fazer coisas a sério. Já tinha feito um vestido para a mais velha à mão (deu imenso trabalho, apesar de ser um vestido simples) e outro para a boneca dela (don’t ask) e tinha começado a fazer bainhas dos lençóis dos gémeos para a escola (mas fazer bainhas de oito lençóis à mão dá mesmo muito trabalho e foi tudo para uma costureira).

A ideia foi ficando para trás… pensava sempre que não teria tempo para me sentar a costurar, mas um dia encontrei uma máquina de costura num hipermercado a metade do preço e decidi comprar. Agarrei na máquina e, antes que me arrependesse, pus no carrinho.

De máquina comprada, o entrave seguinte era não saber costurar com máquina (nunca o tinha feito). Qual a forma mais cómoda e rápida de aprender o básico? Fazendo um curso online!! Foi o que fiz… através do Udemy, comprei um curso online (este), que estava com desconto (viva!!).

Foi muito útil e serviu para aprender funcionalidades básicas da máquina que desconhecia e conceitos essenciais na costura.

Depois disto era preciso rentabilizar o investimento feito na máquina e no curso, por isso decidi que os presentes de Natal deste ano seriam todos homemade (não necessariamente todos com costura, mas com “embrulhos” costurados)!

Os “embrulhos vão ser saquinhos de pano (à falta de padrão natalício na retrosaria, ficou aos quadrados verdes e brancos) com uma fita encarnada e uma etiqueta que comprei na Tiger (em rolo) que diz “homemade with love”.

O que vai dentro destes só se pode mostrar depois do Natal…

Assim que a máquina e eu nos passamos a tratar por tu, percebi que isto de costurar é mesmo engraçado… e decidi fazer eu algo para oferecer à minha irmã nos anos. Procurei ideias pela net e descobri uma bolsa com fechos que achei que ia ser a cara dela. Comprei tecido, encomendei os fechos e mãos à obra! Em dois finais de dia estava feito:

Agora é terminar os presentes de Natal e começar a fazer roupas para os miúdos… vi um poncho muito giro, e que não parece difícil de fazer, para a mais velha.

E é muito relaxante!!!

Dias a dois são dias mais longos (os filhos é que parecem não sentir a falta dos Pais)…

Independentemente do número de filhos que se tenha, momentos a dois são sempre importantes… não… são fundamentais!!!

São precisos para namorar, para conversar (sem interrupções) e também para descansar.

E foi o que nós fizemos… deixámos os três miúdos com a minha Mãe e com a minha irmã e lá fomos nós, rumo a Amesterdão! Aproveitámos um feriado para fazer um fim-de-semana grande, voos em operadoras low cost e promoções na estadia.

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Quem sabe, sabe… em vez de sairmos directos de Lisboa, fomos de avião até ao Porto e de lá até Amesterdão – dica preciosa de uma amiga do Porto!! Ficou muito, mas mesmo muito, mais barato! Na volta viemos de comboio… escolha do Gonçalo, que não gosta de andar de avião e 3 viagens em tão pouco tempo chegavam e bastavam. Além do mais, sempre eram “mais 2h30 de namoro” (tenho cá para mim que esta foi mais para me convencer a não arranjar mais um voo… mas resultou!).

 

Gostámos bastante de Amesterdão, mas não adorámos… É uma cidade engraçada, faz-se muito bem a pé e de bicicleta. Como não podia deixar de ser arranjámos duas yellow bikes e fizemos kms (à vontade uns 50 kms) nestes dias em Amesterdão!! Dia e noite sempre a pedalar. Gostei mesmo da ideia de ir para todo o lado de bicicleta. Gostei ainda mais de ver pais a levarem 2 e 3 filhos nas bicicletas. Tinham umas bicicletas giríssimas, com uma espécie de caixa enorme à frente, entre o guiador e a roda dianteira, onde cabiam 2 ou 3 miúdos. Se Lisboa não tivesse desníveis tão grandes arranjava uma bicicleta dessas para levar os meus filhos à escola!

Para quem está habituado a comida portuguesa (sou fã da nossa comida), não é fácil comer em Amesterdão… tudo parecia ter ainda mais gordura e açúcar do que a nossa comida. Não passámos fome, mas dei por mim a pensar muitas vezes num bom bacalhau à Brás ou num belo pastel de nata!

O grande contra da cidade é o custo… tudo é muito caro. É difícil arranjar um café por menos de € 1,50/€ 2,00. Um crepe ou uma waffle na rua são pelo menos € 4,00/€ 4,50 (com chocolate, claro!). Não conseguimos ir ao Museu Van Gogh porque as filas eram gigantes… aliás, em toda a cidade havia filas para tudo… não sei se pela altura do ano, mas Amesterdão estava cheia de gente… a toda a hora e em todo o lado!

Bom, bom, foi podermos passar tanto tempo juntos, conhecermos uma cidade nova e dormirmos sem horas para acordar!!

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Os dias pareceram mais longos… 24h por dia para nós! Passear de dia, passear de noite, sentar num jardim ao pé de um lago, jantar com calma (e perder tempo a escolher o sítio onde jantar), ver (não é olhar de relance) o mercado das flores (e outros que apanhámos pela cidade).

O final é que foi algo atribulado… é nestas alturas que duvido seriamente da minha capacidade de gerir 3 crianças (e, às vezes, mais o Pai)… Quando fomos buscar as bicicletas, o Gonçalo sugeriu (boa sugestão, por sinal) que no último dia, quando fôssemos devolvê-las, levássemos a malas connosco. O plano era deixar as malas na estação central, dar mais uma volta pela cidade e apanhar o comboio para o aeroporto.

Um plano espectacular, não fosse o facto de eu estar convencida que tínhamos avião às 14h40, quando na verdade era às 12h50!! Fiz o check out calmamente, enquanto o Gonçalo prendia as malas nas bicicletas. Estava a sair do hotel, quando decidi verificar a hora do voo… a partir entrámos em “modo pânico”. Estávamos a mais de 5 kms do sítio onde tínhamos que entregar as bicicletas e eram 10h e pouco… Toca de subir para cima das bicicletas e pedalar freneticamente. Os sinais vermelhos serviam para confirmar o mapa. Fomos lá dar direitinhos (apesar da admiração do Gonçalo – mas mapas e orientação é comigo!)… deixámos as bicicletas e pagámos os dois dias de aluguer, agarrámos nas malas e toca e seguir para a estação central (que, sorte das sortes, era perto da Yellow Bike) em passo bem rápido para apanhar um comboio que nos levasse ao aeroporto. Até à estação central foi rápido e também foi rápido até chegar um comboio… Apesar de tudo isto conseguimos chegar ao aeroporto 1 hora antes… deu tempo para um café (o desgraçado do Gonçalo nem café tinha conseguido tomar ainda).

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Chegámos antes do jantar a Lisboa e fomos buscar os miúdos… a mais velha fez uma festa enorme, mas disse logo que queria ficar mais um dia em casa da Avó (até chorou quando saímos)… os gémeos olharam para nós e continuaram a ver desenhos animados como se nada tivesse acontecido…

E é isto… um Pai e uma Mãe tristes por deixarem os filhos tantos dias para uma recepção destas…