Viver com uma criança grande é isto…

Todos enfiados no carro, a andar numa qualquer estrada interior do Oeste.

Miúdos entretidos com qualquer coisa no banco de trás e nós à conversa, à volta de um assunto qualquer e do qual já nem me lembro. 

De repente, a minha criança grande estica o braço à minha frente, em direcção à minha janela, com a mão a fazer um “like” (segundo o próprio). 

Olhei para a janela e vejo dois rapazes a pedir boleia. 

Pergunto-lhe o que está ele a fazer. 

Diz ele com um ar muito satisfeito e um sorriso bem pateta: “Estou a fazer-lhes um like! Eles foram simpáticos ao fazerem um like ao nosso carro e eu estou a retribuir.”

E é isto…

Sabedoria de irmã mais velha #3

Todos no carro, saídos de uma festa… ela sentada entre os irmãos a comer um chupa.

Pelos grunhidos, percebo que um deles lhe pede o chupa (não podem ver ninguém a comer nada).

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, oiço um assertivo “isto é um comprimido que a mana tem que a mana tem que tomar“. 

O irmão nem se atreveu a pedir mais nada e nós mal conseguimos conter uma valente gargalhada!!

Momentos de aflição dos filhos que nos arrancam uma (ou mais) gargalhadas #1

No fim-de-semana, a mais velha lembrou-se de uma que lhe aconteceu há uns 2 ou 3 anos… 

Pelo Natal ela tinha recebido um castelo em cartão, para montar e enfeitar com os autocolantes que trazia. 

Este…


Montámos o castelo e as personagens e ela enfeitou o castelo com alguns autocolantes (com desenhos). Os restantes autocolantes (“milhares” de pequenos quadrados de um material fofinho) ficaram “esquecidos” na caixa. Achámos que correríamos o risco de aparecerem colados em todo o lado…

Não apareceram colados em todo e qualquer lado… foi só nas pernas dela!!! Um dia apanhou a caixa e desatou a colar quadrados cor-de-rosa pelas pernas fora…

Apareceu-nos à frente naquele figura, mais feliz do que se tivesse acabado de receber um brinquedo. 

A cola daqueles autocolantes era boa (mas mesmo boa)… tão boa que tirar-lhe os autocolantes sem ela berrar de dor revelou-se tarefa difícil…

Quando ela percebeu que não ia ser fácil tirar aquilo, desatou a chorar e eu… eu (e o Pai, que nestas coisas é quase pior do que eu) desatei a rir porque já a imaginava a ir para a escola com as pernas naquele estado!!!

Tivémos que enfiar a miúda na banheira para dissolver a cola… ela chorava e eu ria!!!

E quando ela me relembrou disto voltei a rir! E não foi para dentro… soltei uma valente gargalhada!!!

Vantagens de ser Pai (Parte 1)

Sem grandes rodeios vou enumerar:

  1. Quando e onde estiveres com os teus filhos podes comportar-te como se fosses um deles – Aos olhos dos restantes adultos estás a ser um excelente Pai, quando na realidade estás só a ser pateta (é li-ber-ta-dor… quem não tiver fihos posso alugar um ou dois para experiênciar esta liberdade).
  2. Quando os estás a adormecer e te tocam no nariz podes fazer POMMMMMM… porque no final das contas quem vai acabar por os pôr a dormir é a Mãe….
  3. Basta dizeres sim ou não depois da Mãe dizer sim ou não… A sensação de seres um excelente educador deve ser o equivalente a fazer rodizio de holandesas…
  4. Quando doí… querem a Mãe… Quando não doí querem o Disney Junior… Perfect 🙂
  5. Bem treinados… cócó é com a Mãe…
  6. Quando és pai de gemeos podes sempre dar respostas parvas a perguntas parvas:
    1. São gemeos? – Não são de mães diferentes….
    2. São dois? – Não são 3 mas não havia carrinhos com mais lugares na loja… o outro vem já ai atrás….
    3. São dois meninos? – Não… vesti os dois de azul só para causar confusão.
    4. (A minha preferida) Nasceram ao mesmo tempo? – Não não… nasceram com um minuto ou dois de intervalo…
    5. São verdadeiros? Não estes são falsos… os verdadeiros deixei-os no carro porque são muito irrequietos.

Fim da primeira parte… Amanhã há mais!

O Pai

Regresso às costuras

Já que comprei uma máquina de costura e fiz um curso (básico) online – sewing 101 – há que rentabilizar o investimento… por isso voltei à costura. 

A ideia agora é fazer peças de roupa que lhes façam falta. Dentro do que faz falta optei por começar pelo mais fácil – chapéus! 

Tirei o molde de um livro que me emprestaram. Já tinha folheado o livro imensas vezes e pareceu-me fácil fazer qualquer um dos chapéus. 

Comprei tecidos, entretela e imprimi os moldes. Cortei as peças – esta é a parte que menos gosto… levo muito tempo e ponho imensos alfinetes para ter a certeza que fica tudo direitinho – e apliquei a entretela ao tecido (termoaderente e de tecido).

Depois foi só coser… foi num instante!!! 

Comecei por fazer um chapéu para ela, reversível, depois chapéus iguais para os três (tecidos iguais, mas cores diferentes para ela). O tecido de fora destes chapéus iguais é grosso e mais difícil de trabalhar. Mas apesar de não assentarem tão bem, eles gostaram!!

E assim, em menos de nada passaram de nenhum chapéu para dois para ela e um para cada um dos gémeos. 

Como a experiência dos chapéus está a correr tão bem, vou fazer mais um ou outro (outros modelos do livro) e depois quero tentar fazer peças de roupa para eles… calças, saias, blusas, camisas… vamos ver como corre.

Quando o Universo conspira contra as Mães… ou a história dos nossos dias!!!

Um dos propósitos do Universo (estou certa de que é o principal) é boicotar os planos das Mães…

Plano de ontem:

  • Sair meia hora mais cedo;
  • Chegar à escola com calma e muito antes das 19h00;
  • Estacionar o carro à porta (chegando cedo teria lugar de certeza);
  • Levar os miúdos (a pé) para tirar fotografias (a mais velha precisa agora para a inscrição na escola, quanto aos gémeos ia adiantar serviço);
  • Ir ao supermercado (com toda a calma e a pé com os três), buscar o que faltava (leite… falta sempre leite!!!);
  • Chegar a casa com tudo isto tratado e (sempre com muita calma) pôr os miúdos no banho, dar-lhes jantar (o que sobrou do dia anterior) e pô-los na cama cedo para poder descansar!

O que aconteceu:

  • Saí apenas 5 minutos mais cedo;
  • Apanhei trânsito de uma ponta à outra da cidade (no dia anterior tinha saído mais tarde e cheguei à escola em 30 minutos… ontem, que tinha tantos planos, demorei 1 hora a chegar);
  • Como eram já quase 19h00 quando cheguei à escola, a loja das fotografias estava fora de hipótese. Ainda ponderei ir com os três para a estação de metro, mas não me senti capaz…
  • Fomos ao supermercado – carro no parque e lá fomos todos comprar o que faltava. Supermercado com os três, por incrível que pareça, até costuma correr bem. Ontem houve de tudo… puxarem o fio de emergência da casa-de-banho onde está o muda-fraldas (fiquei a saber que funciona, porque 2 minutos depois tinha o segurança do supermercado a bater à porta), carregarem no botão de emergência do elevador, puxarem o carrinho quando eu tentava empurrá-lo, irem por outro corredor, pendurarem-se no carrinho em andamento, mexerem nos telefones das caixas, mexerem na máquina dos cupões e outras que tais… a senhora que estava à minha frente perguntou-me se precisava de ajuda umas 3 ou 4 vezes… Para verem como estava a correr bem!
  • Chegar a casa tarde, dar banho aos miúdos, dar-lhes jantar (com muitas birras porque um não queria sopa, outro não queria a massa… e, claro, pô-los na cama para lá de tarde!
  • E sentei-me 5 minutos na sala… adoro quando tudo corre conforme planeado!!!!

Podia contar-vos a noite que se seguiu, mas não quero ser responsável pela redução drástica da natalidade!!

O pão dos filhos e a fome do Pai…

Como qualquer miúdo, os meus filhos pelam-se por actividades culinárias que envolvam farinha, mexer com uma colher de pau ou meter as mãos na massa (literalmente).

São fãs das noites de pizza… os gémeos mais da parte de fazer a pizza e de comer os ingredientes do que comer a pizza pronta, ela de todo o processo, sobretudo a parte de comer a pizza!

Adoram fazer bolachas… aqui o que gostam mesmo é da parte final… comer as bolachas… todas… em menos de nada!!

Desta vez resolvi fazer pão com eles. Já tinha feito outras vezes, mas depois de os deitar.

Tenho feito com base numa receita que encontrei aqui. Fiz apenas metade e substituí a farinha normal por farinha de espelta (que tinha comprado num sítio fantástico, onde se encontra tudo e mais alguma coisa a granel), na esperança de que dê para compensar os cocholates que como.

Assim que perceberam que a coisa envolvia farinha, água e sujar as mãos todos eles quiseram ajudar (ou melhor, participar daquilo que lhes pareceu uma festa)!

Na parte de amassar à mão a cozinha transformou-se num estado de sítio. Despejaram farinha na bancada (ainda estamos a trabalhar a aquisição de conceitos… como é o caso de “um pouco“), puseram as mãos na massa (se a amassaram ou não é que já não sei dizer) e passaram as mãos pela roupa, cara e cabelo… se não fosse a nuvem de farinha que pairava pela cozinha, teriam ficado com uma bela fotografia do seu disfarce de “enfarinhados“.

Depois distos, os gémeos fartaram-se da “brincadeira“. A mais velha voltou quando chegou a altura de dar forma ao pão… ela é que decidiu que seriam bolas e até fez uma bola de pão mais pequena especificamente para ela

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Os miúdos foram para a cama logo depois de pôr os pães no forno e o Pai (ou “o meu filho adolescente“) chegou pouco depois de os tirar do forno, estava eu a adormecer os gémeos.

Juro que demorei pouco mais de 5 minutos… a sério!!! Assim que chego à cozinha tenho este cenário… o meu filho adolescente, que como qualquer adolescente está sempre esganado de fome, engoliu (duvido que tenha tido tempo de mastigar) quase metade dos pães!!!!

E qual foi o pão que ele comeu primeiro? Pois claro… o mais pequeno!! Achou que era apenas um bocado de massa que tinha sobrado, do qual eu tinha feito uma bola pequena…

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Exorcista precisa-se…

Sou só eu que penso em chamar um exorcista cada vez que tenho que lhes cortar as unhas dos pés?

É que só lhes falta rodar a cabeça!!!!

Gritam, choram, esperneiam, contorcem-se… tudo isto antes mesmo de lhes tocar!

A meio do longo processo ouvem-se (até ao fim da rua, de certeza) uns “Pára!”, “Não me cortes o pé!”, “Magoa!”… ainda assim, temos escapado a uma visita surpresa da Polícia ou da Proteção de Menores.

Pelo menos até se lembrarem de gritar “Socorro!”…

Lição bem estudada…

Mãe e filha a caminho do Colombo, em conversa contínua, que a pequena é tagarela até mais não, quando ela interrompe o que estava a dizer e pergunta do banco de trás… 

– “Isto é o estádio do Benfica?”  

– “Sim”, digo eu. 

-“Quando vir a águia vou desmaiar”… 

E lá fingiu ela um desmaio quando passámos pela águia. 

O Pai ensina estas coisas (não necessariamente isto, como calculam) e ela, pelos vistos, aprende a lição.